Conteúdo Técnico — Higiene Ocupacional

Como é Feita a Avaliação de Poeiras e Fibras

Amostragem gravimétrica, frações inalável e respirável, e análise de sílica livre cristalina por difratometria de raios X (DRX) — sequência metodológica completa.

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A avaliação de poeiras é realizada por amostragem gravimétrica: uma bomba de baixa vazão coleta partículas em suspensão num filtro pré-pesado, acoplado ao trabalhador na zona de respiração. A concentração é calculada pela diferença de massa do filtro dividida pelo volume de ar amostrado, expressa em mg/m³.

Para poeiras com sílica livre cristalina, o filtro é submetido a análise por difratometria de raios X (DRX) em laboratório acreditado, determinando o percentual de SiO₂ cristalino. Esse valor é usado na fórmula da NR-15 Anexo 12 para calcular o Limite de Tolerância específico para aquela poeira.

Etapas da avaliação — do campo ao relatório

Sequência metodológica da avaliação de poeiras e fibras realizada em campo e laboratório.

01

Identificação da poeira e seleção da fração a coletar

Definição da fração de interesse: poeira total, fração inalável ou fração respirável. Seleção do cabeçote coletor: ciclone Dorr-Oliver ou GSP para fração respirável; cabeçote IOM para fração inalável.

02

Pré-pesagem dos filtros

Filtros de PVC 5 µm condicionados por no mínimo 24 horas em dessecador com umidade relativa controlada. Pesagem em balança analítica com resolução de ±0,01 mg. Registro do peso inicial de cada filtro.

03

Calibração e montagem da bomba de amostragem

Calibração da vazão com fluxímetro eletrônico: ciclone GSP a 1,9 L/min para fração respirável; cabeçote IOM a 2 L/min para fração inalável. Conjunto acoplado ao trabalhador com clipe de cinto.

04

Amostragem durante a jornada representativa

Coleta de amostra de jornada completa preferencialmente. Registro das atividades, processos geradores de poeira, uso de equipamento de proteção respiratória (EPR) e variações de processo.

05

Pós-pesagem e análise gravimétrica

Condicionamento do filtro pós-coleta por 24 horas em dessecador. Pesagem em balança analítica. Concentração: C = (massa pós − massa pré) / volume de ar amostrado. Resultado em mg/m³.

06

Análise de sílica livre cristalina por DRX

Quando aplicável: fragmento do filtro de PVC digerido e analisado por difratometria de raios X (DRX) em laboratório acreditado. Resultado em % SiO₂ cristalina para cálculo do LT pela fórmula NR-15 Anexo 12.

07

Relatório técnico

Documento com tipo de poeira, fração avaliada, metodologia, concentração em mg/m³, % SiO₂ quando analisada, comparativo com LT da NR-15 Anexo 12, conclusão e recomendações de controle (exaustão, processo úmido, EPR).

Metodologias e normas aplicáveis

Referências normativas que regem a avaliação de poeiras e fibras ocupacionais.

NR-15 A12

Limites de Tolerância para Poeiras Minerais

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)

Estabelece o LT para sílica livre cristalina pela fórmula LT = 24/(% SiO₂ + 3) em mg/m³ e limites para outras poeiras minerais. Base legal para insalubridade por poeiras no Brasil.

NHO-08

Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho

Fundacentro

Metodologia brasileira de referência para amostragem de poeiras. Define estratégia de coleta, seleção de cabeçotes, calibração de bombas e procedimentos de pesagem gravimétrica.

ISO 7708

Air Quality — Particle Size Fraction Definitions for Health-Related Sampling

ISO

Define as frações granulométricas de interesse para saúde: inalável, torácica e respirável. Base para seleção dos cabeçotes coletores conforme a via de deposição pulmonar.

EN 13205

Workplace Atmospheres — Assessment of Performance of Instruments for Measurement of Airborne Particle Concentrations

CEN (Europa)

Norma de desempenho para instrumentos de medição de partículas em suspensão no ar de trabalho. Referência para validação dos cabeçotes coletores utilizados.

Equipamentos utilizados

Instrumentos e materiais empregados na amostragem de poeiras e na análise laboratorial.

🌫️

Bomba de amostragem individual

Bomba de baixa vazão para coleta de poeiras. Exemplo: SKC AirChek. Deve ter controle eletrônico de vazão e calibração rastreável.

🔄

Ciclone Dorr-Oliver ou GSP

Cabeçote seletor para coleta da fração respirável (< 10 µm). Operado a 1,9 L/min. Separa partículas grandes por força centrífuga antes do filtro.

🎯

Cabeçote IOM

Cabeçote para coleta da fração inalável (partículas que entram pelo nariz e boca). Operado a 2 L/min. Coleta partículas de até 100 µm.

⚖️

Balança analítica (laboratório)

Balança com resolução de ±0,01 mg para pesagem dos filtros antes e após a coleta. Utilizada em ambiente com temperatura e umidade controladas.

🔭

Difratômetro de raios X (laboratório)

Equipamento para análise de sílica livre cristalina (quartzo e cristobalita) por DRX. Laboratório deve ser acreditado pelo INMETRO para esta técnica.

Critérios de avaliação e limites de tolerância

Limites de tolerância para poeiras conforme NR-15 Anexo 12 e exemplos de cálculo para sílica.

Tipo de poeira% SiO₂ cristalinoLT calculado (mg/m³)Fração
Sílica livre cristalina10%24/(10+3) ≈ 1,85Respirável
Sílica livre cristalina30%24/(30+3) ≈ 0,73Respirável
Sílica livre cristalina60%24/(60+3) ≈ 0,38Respirável
Poeiras não especificadas (NR-15 A12)—Conforme tabela A12Total / Respirável

Fonte: NR-15 Anexo 12 (MTE). Fórmula para sílica: LT = 24 / (% SiO₂ + 3) em mg/m³ para fração respirável.

Importante: A fração respirável é a mais crítica para pneumoconioses. Quanto maior o percentual de sílica cristalina na poeira, menor o limite tolerável de concentração no ar. A silicose é irreversível — a prevenção e o controle da exposição são as únicas medidas eficazes.

Perguntas técnicas frequentes sobre avaliação de poeiras e fibras

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